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Quando estamos na nossa ilha: sobre não conseguir nomear o que sentimos

Às vezes a dor nos envolve como o mar envolve uma ilha. Um texto sobre emoções que não conseguimos nomear e sobre o primeiro passo para sair delas.

Por Alessandra Abreu5 min de leitura

Às vezes a gente sente, mas não sabe nomear. Há um cansaço que não passa, uma tristeza sem motivo claro, uma irritação que aparece do nada. E quando alguém pergunta o que foi, a resposta é sempre a mesma: nada, só estou cansada.

A ilha

Gosto de pensar nesse lugar como uma ilha. A dor nos envolve como o mar envolve a ilha: está em toda volta, e fica difícil enxergar além dela.

Na ilha, a gente se acostuma. Cria rotinas, segue em frente, dá conta de tudo. Mas por dentro continua isolada, sem saber como chegar ao outro lado.

Por que é tão difícil dar nome ao que sentimos

Muitas de nós aprendemos cedo a engolir o choro, a ser fortes, a não incomodar. Aprendemos a cuidar das emoções dos outros antes das nossas. Com o tempo, perdemos a prática de perguntar: o que eu estou sentindo agora?

Também há emoções que se misturam. A raiva pode esconder uma tristeza. O cansaço pode esconder um luto que nunca teve espaço. Quando tudo vem junto, vira um aperto sem nome.

Nomear é o primeiro passo

Dar nome ao que sentimos não resolve tudo de uma vez. Mas muda a relação com a dor. O que tem nome pode ser olhado, conversado, cuidado. O que não tem nome fica solto, pesando por dentro.

Algumas perguntas simples ajudam a começar:

  • Em que momento do dia esse aperto aparece?
  • Ele lembra alguma outra fase da minha vida?
  • Se esse sentimento tivesse uma voz, o que ele diria?

Escrever as respostas, sem julgar, já é uma forma de se escutar.

Você não precisa atravessar sozinha

Sair da ilha costuma ser mais leve quando alguém caminha ao lado. Na terapia, a gente olha a própria história de outro ângulo, nomeia as emoções e ressignifica o que foi vivido, no seu tempo.

Se fizer sentido para você, converse comigo pelo WhatsApp. E se preferir começar ao lado de outras mulheres, conheça a Casa Lavanda.

Se você está em sofrimento intenso ou pensando em tirar a própria vida, ligue 188 (CVV, 24 horas, gratuito) ou procure o pronto atendimento mais próximo.

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Alessandra Abreu, terapeuta integrativa

Alessandra Abreu

Terapeuta integrativa do emocional feminino, em Belo Horizonte. Conduz as rodas de conversa e o grupo terapêutico da Casa Lavanda.

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